O eclipse solar de 12 de agosto de 2026 é o tipo de acontecimento que muita gente só vê uma vez na vida, e a maioria vai desperdiçá-lo de duas maneiras. Uns vão olhar para o Sol sem proteção nenhuma e brincar com a própria visão (talvez por isso só vejam o eclipse "uma vez na vida"). Outros vão apontar o telemóvel ou câmara ao céu, sem qualquer filtro, e ficar com uma bola tremida ou manchas irreparáveis no sensor, e chamar a isto uma "recordação". Este guia existe para não seres nenhum destes tipos de pessoas.

E não estou a exagerar ao chamar-lhe acontecimento raro. O último eclipse solar total visível a partir de Portugal continental foi em 1912. O próximo, depois deste, só por volta de 2144. Para a Europa continental, é o primeiro eclipse total desde 1999. Ou seja, não é apenas "mais um dia de Sol", é uma janela que se abre agora e que, depois de fechar, só torna a abrir daqui a um século.

Eclipse Solar 2026 em Portugal: Horas, Óculos e Como Fotografar

O que é este eclipse, e porque é que é especial

Um eclipse solar acontece quando a Lua se coloca entre a Terra e o Sol, projetando a sua sombra sobre nós, tapando o disco solar. Quando o alinhamento é perfeito e estás dentro da faixa certa, a Lua cobre o Sol por completo e o dia vira noite por uns instantes.

Aqui está o senão para quem está em Portugal: a faixa de totalidade quase não toca o nosso país. Passa por cima da Islândia, do norte de Espanha e apenas raspa um pedaço minúsculo do nordeste transmontano, dentro do Parque Natural de Montesinho, onde a totalidade dura uns escassos 26 segundos. No resto do território, de Bragança a Faro, o eclipse é parcial, mas parcial de magnitude altíssima, acima de 90% em praticamente todo o lado.

Há ainda um pormenor que muda tudo, sobretudo para quem quer fotografar: o eclipse acontece ao final da tarde, com o Sol muito baixo, quase a pousar no horizonte a oeste. É praticamente um eclipse ao pôr do sol. Guarda esta ideia, porque mais à frente ela é a diferença entre uma foto banal e uma foto que mais ninguém vai ter.

A que horas é o eclipse solar em Portugal

Os horários variam ligeiramente conforme o ponto onde estás, mas para Portugal continental a referência oficial é esta:

  • Início (primeiro contacto): por volta das 18h33, quando a Lua começa a morder o disco solar e o Sol ganha a forma de crescente.
  • Máximo: cerca das 19h30, o pico do fenómeno, com o Sol quase todo tapado.
  • Fim: perto das 20h23, quando os dois astros se separam.

Para as grandes cidades como Lisboa e Porto:

  • Porto: começa às 18h35, máximo às 19h32 com cerca de 98,3% do Sol coberto, e fim às 20h25.
  • Lisboa: a fase parcial decorre entre as 18h39 e as 20h29, com o máximo às 19h36 e cerca de 94,5% de ocultação.

No resto do país a percentagem de Sol tapado sobe à medida que se caminha para nordeste. Segundo o Planetário do Porto, a ocultação vai dos 92,8% em Faro aos 99,9% em Bragança, a cidade que fica mais perto da totalidade sem lá chegar. E depois há a exceção do mapa:

  • Montesinho (entre Rio de Onor e Guadramil): a única faixa de totalidade em solo português, com cerca de 26 segundos de Sol completamente coberto. O acesso à zona florestal foi restringido, e o centro oficial de acolhimento passou para o Aeródromo Municipal de Bragança.

Uma nota prática que quase ninguém sublinha: como o Sol vai estar baixíssimo a oeste, precisas de um horizonte aberto para esse lado. Se tiveres um prédio, uma serra ou uma linha de árvores a tapar a poente, podes ter os óculos certos, a hora certa e na mesma não ver absolutamente nada. A escolha do sítio conta tanto como a hora.

Os horários oficiais e o mapa detalhado por concelho estão no portal da Ciência Viva (consultar aqui).

Eclipse Solar 2026 em Portugal: Horas, Óculos e Como Fotografar

Óculos de eclipse: ISO 12312-2, ou então nada

Esta é a parte em que preciso de ser chato, porque é a que te pode custar a visão.

Olhar diretamente para o Sol durante um eclipse parcial queima a retina, e o pior é que a retina não tem dores. Não sentes nada no momento, o dano aparece horas depois e muitas vezes é permanente. Este é o erro mais perigoso de todos, achar que, porque o Sol está 99% tapado e parece mais fraco, já se pode olhar. Não se pode. Aquele 1% de Sol direto continua a ser milhares de vezes mais intenso do que o olho aguenta.

Então o que serve e deves usar:

  • Óculos de eclipse certificados com a norma ISO 12312-2. Esta é a única referência que interessa. Vêm normalmente em cartão, com uma película escura específica. Com eles, em condições normais, só consegues ver o Sol e pouco mais.
  • Métodos indiretos, se não arranjares óculos a tempo: projeção com "pinhole", um furo pequeno numa cartolina projeta a imagem do Sol numa superfície, ou a sombra de uma escumadeira, que faz dezenas de crescentes no chão. Não é algo glamoroso, mas é seguro e melhor do que danificares a tua visão.

E o que não serve, por muito que a tentação apareça: óculos de sol normais, mesmo os mais caros e de marca, vidros fumados, radiografias, CDs e um clássico português, o vidro da máscara de soldar sem a graduação correta. Nada disto te protege. Se os teus óculos de praia deram para ver a bola do último jogo à luz do dia, não é isso que te qualifica para olhar diretamente para o Sol.

Ao comprar, foge de vendedores duvidosos e de falsificações que circulam em força nestas alturas. Encontras os óculos certificados em óticas, farmácias e algumas superfícies comerciais, além dos pontos oficiais da Ciência Viva. Na dúvida sobre a certificação, o método indireto é sempre preferível a arriscar.

Como fotografar e filmar o eclipse (a parte onde eu entro)

Chegámos à secção que me diz mais, porque é algo que faço com bastante regularidade, o ato de fotografar e filmar, não especificamente eclipses.

Regra de ouro, e sublinha isto: os óculos, que protegem os teus olhos, não protegem a câmara. Apontar uma câmara, ou um telemóvel, diretamente ao Sol sem filtro próprio pode queimar o sensor em segundos, além de te dar uma imagem lavada e inútil. A objetiva concentra a luz, é o mesmo princípio da lupa e da formiga. Não o faças.

O que precisas de facto:

  • Um filtro solar próprio para a lente. Atenção, não é o filtro ND cinzento normal do teu kit de vídeo. É um filtro de densidade solar, específico para apontar ao Sol. Sem ele, não há foto ou vídeo que compense o risco.
  • Tripé, sempre. O Sol vai estar baixo e vais querer usar a teleobjetiva. À mão levantada não há pulso que aguente sem tremer um milímetro que seja.
  • Modo manual. ISO baixo, foco manual afinado ao infinito e disparo com temporizador ou comando remoto para não abanares a câmara ao carregar no botão.

Sobre o telemóvel, sejamos realistas. Sem um filtro de encaixe "clip-on" à frente da lente, vais arriscar o sensor e, na melhor das hipóteses, trazer uma bola branca sem definição. O zoom digital não faz milagres, só transforma um ponto pequeno num borrão maior, e hoje ao fim da tarde vai estar meio país a filmar na vertical, sem tripé, a esticar o zoom até o Sol virar um pixel tremido. Se só tens o telemóvel e nenhum filtro, o meu conselho é este: guarda o telemóvel, põe os óculos certificados e vê o eclipse com os teus olhos. Essa memória vale mais do que uma má fotografia.

E agora o que quase ninguém aproveita: a luz. Lembras-te de eu ter dito que o Sol estará baixo, quase no poente? Isso é uma prenda de composição que raramente se repete. Em vez de fotografares só a bola no céu preto, como toda a gente vai fazer, usa o primeiro plano. Uma silhueta, uma linha de serra, uma árvore, uma figura humana recortada contra o Sol eclipsado ao entardecer. É a diferença entre um registo técnico e uma imagem com alma. Para vídeo, o mesmo raciocínio: enquadra a paisagem, monta um timelapse e deixa a luz mudar sozinha ao longo dos quase dois minutos, digo, das quase duas horas do fenómeno.

Isto não é a teoria de manual. É o trabalho de captação e pós-produção de foto e vídeo que faço no terreno. Se queres aprender a fazer isto bem, e não só no eclipse, tenho mentoria de edição para isso. Se preferes simplesmente ter o momento bem registado por quem sabe, sem stress e sem sensores queimados, tratamos do vídeo e da fotografia por ti.

Eclipse Solar 2026 em Portugal: Horas, Óculos e Como Fotografar

Onde ver o eclipse (e onde eu me punha)

Já percebeste que o segredo é o horizonte oeste. Traduzindo em escolha de sítio:

  • Procura um ponto alto com poente desimpedido: um miradouro virado a oeste, uma zona elevada, um descampado sem prédios nem serra a tapar a linha do horizonte.
  • Foge da neblina da costa. Ao final da tarde, o litoral, incluindo Lisboa e Porto, pode ter nuvens baixas ou bruma marítima precisamente na faixa do céu onde o Sol vai estar. O interior costuma ter céu mais limpo em agosto.
  • Se a tua ambição é a totalidade completa, os 100%, isso obriga a atravessar para o norte de Espanha, para zonas como Zamora ou Sanabria, já que em Portugal só a faixa de Montesinho toca a totalidade, agora com acesso restrito.

Não precisas de ir longe para ter um bom espetáculo. Precisas é de escolher bem o sítio e chegar cedo para montar tudo com calma.

Isto não acaba a 12 de agosto: 2027 e 2028

Aqui está a parte que separa quem reage de quem planeia. Este eclipse não é um evento isolado, é o início de uma sequência rara, aquilo a que já se chama o trio ibérico de eclipses de 2026 a 2028, confirmado pela Agência Espacial Europeia:

  • 2 de agosto de 2027: eclipse total no sul de Espanha, apontado como uma das totalidades mais longas do século, e parcial forte no sul de Portugal (consultar visibilidade prevista).
  • 26 de janeiro de 2028: eclipse anular, cuja faixa de anularidade toca o sul de Portugal continental e a Madeira ao final da tarde, com o famoso anel de fogo (consultar visibilidade prevista).

Três anos seguidos de céu para aproveitar. E, como em tudo, quem prepara com antecedência traz melhores imagens e vídeos, escolhe melhores locais e não anda em pânico à procura de filtros na véspera ou no próprio dia. Se ficaste com o bichinho, este é o momento de começar a planear já os próximos.

Eclipse Solar 2026 em Portugal: Horas, Óculos e Como Fotografar

E agora?

Se levas isto a sério, seja para capturar bem o dia de hoje ou para chegares preparado a 2027 e 2028, fala comigo. Faço captação, edição e mentoria, e eventos como os eclipses são exatamente o tipo de desafios técnicos que gosto de tratar bem.

Deixo-te ainda uma última visão sobre o tema, desta vez para quem tem um negócio. Repara no que aconteceu esta semana: meio país a pesquisar ao mesmo tempo "eclipse solar 2026", "óculos", "a que horas". Este artigo que estás a ler é, ele próprio, uma jogada. Aproveitar um tema em alta para aparecer à frente de quem só reage tarde chama-se saber ler o momento, e é metade do trabalho de estar visível online. Se tens uma marca e queres apanhar estas ondas de tráfego em vez de as ver passar, é disto que tratam a minha consultoria digital e a auditoria digital.

E tu, hoje vais só olhar para o céu, ou vais trazer alguma coisa de lá?